Ativismo político
Em
1955,
Rosa Parks,
uma mulher negra, se negou a dar seu lugar num ônibus para uma mulher
branca e foi presa. Os líderes negros da cidade organizaram um
boicote aos ônibus de Montgomery
para protestar contra a segregação racial em vigor no transporte.
Durante a campanha de um ano e dezesseis dias, co-liderada por
Martin Luther King,
muitas ameaças foram feitas contra a sua vida, foi preso e viu sua casa
ser atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte
Americana em tornar ilegal a discriminação racial em transporte público.
Depois dessa batalha,
Martin Luther King participou da fundação da
Conferência de Liderança Cristã do Sul (CLCS, ou em inglês, SCLC,
Southern Christian Leadership Conference), em
1957. A CLCS deveria organizar o ativismo em torno da questão dos
direitos civis. King manteve-se à frente da CLCS até sua morte, o que foi criticado pelo mais democrático e mais radical
Comitê Não Violento de Coordenação Estudantil
(CNVCE, ou em inglês, SNCC, Student Nonviolent Coordinating Committee).
O CLCS era composto principalmente por comunidades negras ligadas a
igrejas batistas. King era seguidor das ideias de
desobediência civil não violenta preconizadas por
Mohandas Gandhi (líder político indiano também conhecido como
Mahatma Gandhi)
e aplicava essas ideias nos protestos organizados pelo CLCS. King
acertadamente previu que manifestações organizadas e não violentas
contra o sistema de segregação predominante no sul dos Estados Unidos,
atacadas de modo violento por autoridades racistas e com ampla cobertura
da mídia, iriam criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos
direitos civis; essa foi a ação fundamental que fez do debate acerca dos
direitos civis o principal assunto político nos Estados Unidos a partir
do começo da
década de 1960.
Martin Luther King Jr. profere o seu famoso discurso "Eu tenho um sonho"
em março de 1963 frente ao Memorial Lincoln em Washington, durante a
chamada "marcha pelo emprego e pela liberdade".
Ele organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto,
o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros
direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde,
agregada à lei estado-unidense com a aprovação da Lei de Direitos Civis (
1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (
1965).
King e o CLCS escolheram com grande acerto os princípios do protesto
não violento, ainda que como meio de provocar e irritar as autoridades
racistas dos locais onde se davam os protestos - invariavelmente estes
últimos retaliavam de forma violenta. O CLCS também participou dos
protestos em
Albany (Alabama) (
1961-
2),
que não tiveram sucesso devido a divisões no seio da comunidade negra e
também pela reação prudente das autoridades locais; a seguir,
participou dos protestos em Birmingham (
1963) e do protesto em
St. Augustine, na Flórida (
1964). King, o CLCS e o CNVCE uniram forças em dezembro de
1964, no protesto ocorrido na cidade de
Selma (Alabama).
Em
14 de outubro de
1964, King se tornou a pessoa mais jovem a receber o
Nobel da Paz,
que lhe foi outorgado em reconhecimento à sua nação e à sua liderança
na resistência não violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados
Unidos.